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DADOS DA COVID-19 EM PORTO FELIZ, SUGEREM EFETIVIDADE NA ABORDAGEM PRECOCE DA DOENÇA.

A Covid-19, sua evolução e o tratamento integral em Porto Feliz

14/05/2021 15h09
Por: Larissa Rocha
DADOS DA COVID-19 EM PORTO FELIZ, SUGEREM EFETIVIDADE NA ABORDAGEM PRECOCE DA DOENÇA.

 

 

A luta contra a pandemia do novo coronavírus se estende há mais de um ano e move todo o planeta. Cientistas e equipes médicas estão mobilizadas na busca por melhores tratamentos e em uma corrida contra o relógio para achar as melhores maneiras de conter a evolução do vírus e seu desenvolvimento em novas variantes.

Neste estudo tomamos como objeto de pesquisa a cidade de Porto Feliz-SP e seus índices de combate à doença. Porto Feliz adotou uma abordagem integral   no tratamento da Covid-19: tratamento que se inicia com o diagnóstico e prescrição de medicação específica ainda nas suas fases iniciais, o que popularmente se convencionou chamar de tratamento ou abordagem precoce.

A experiência adquirida na cidade, juntamente com todos os outros tratamentos que estão sendo feitos pelo restante do globo terrestre, faz parte de tentativas de combate à Covid-19. Esse conhecimento está se acumulando e o que sabemos a respeito dos mecanismos da doença se solidifica em trabalhos científicos. Assim, a partir do conhecimento construído até agora, faz-se necessária uma reflexão serena dos fatos.

A Covid-19, sua evolução e o tratamento integral  em Porto Feliz

Quando diagnosticada, a Covid-19 evolui, na maioria das vezes, em 3 fases:

        fase 1 – Inicial: após o contágio há a invasão do vírus nas células, seguida de sua multiplicação (replicação). A chamada fase inicial é assintomática ou com sintomas parecidos com uma gripe comum. Numerosos trabalhos já demonstraram a eficácia do uso de algumas substâncias nesta fase.

        fase 2 -subdivide-se em duas etapas:

a)       início da resposta inflamatória e comprometimento pulmonar.

b)      piora deste comprometimento.

fase 3 – com a tempestade inflamatória e piora acentuada do comprometimento do organismo, podendo levar ao óbito.

No decurso da fase 1, uma das intervenções possíveis é o chamado “tratamento precoce”. Este é realizado com HCQ (Hidroxicloroquina), Ivermectina, Azitromicina, Sulfato de Zinco entre outros medicamentos. O objetivo do tratamento é dificultar a replicação do vírus e evitar a evolução para as fases seguintes da doença, evitando desde maiores sequelas para o corpo, como possíveis óbitos e o congestionamento do sistema de saúde.

Trata se de abordagem que visa monitorar o estado de saúde do paciente como um todo, sem abrir mão do suporte hospitalar, inclusive de terapia intensiva quando detectado o agravamento da doença, uma abordagem que se por um lado não pode ser tratada como a cura da doença por outro lado também não pode ser tratada como abordagem inócua, ao menos é isso que os dados epidemiológicos com origem na cidade de Porto Feliz têm demonstrado. 

A abordagem integral, adotada em Porto Feliz, tem enfrentado obstáculos ao ser denominada por alguns órgãos e indivíduos, de modo pejorativo, de “kit Covid”. Esta nomenclatura é acompanhada da ideia de que os medicamentos são distribuídos de maneira indiscriminada e sem orientação para a população. Essa ideia dissemina preconceitos e desconhecimento, tendo como efeito o não tratamento dos primeiros sintomas de maneira adequada.

Porém, é preciso evidenciar que, ao defendermos o início do tratamento nos primeiros sintomas, não advogamos a simples prescrição e entrega de um “kit de remédios” acompanhado da fatídica orientação: “se piorar, procure um Hospital”. Esta é uma visão equivocada e reducionista do “tratamento precoce/ integral”. Trata-se, na verdade, de uma abordagem e de um acolhimento diferenciado, com acompanhamento próximo e reavaliação constante.

Nessa abordagem, o tratamento é iniciado nos primeiros sintomas, enquanto se aguarda os exames complementares. A finalidade deste tratamento, além de tentar impedir o avanço para fases mais graves, é a de identificar precocemente os primeiros sinais de complicações iminentes, possibilitando também a intervenção precoce nestes eventos. Ou seja, a proposta é tratar precocemente a doença, estar atento às manifestações de possíveis complicações e, assim, tratá-las também precocemente, com vistas a impedir sua evolução desfavorável.

Por conta da proliferação de visões equivocadas e difamatórias, há uma tendência a não mais se referir a essa postura como “tratamento precoce”, mas sim denominá-la de “tratamento integral ou holístico”, termo mais compatível com seu real significado. Acolhimento precoce, tratamento integral (desde o início) e cumprimento de nossa obrigação como médicos resume-se em fazer todos os esforços para curar ou aliviar nossos pacientes.

Tal postura, ao contrário do que se imagina, não é exclusivamente defendida na cidade de Porto Feliz , mas  é levantada inclusive por dois ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina, Dr. Luc Montagnier, médico virologista francês, descobridor do HIV (laureado em 2008) e Dr. Satoshi Omura (laureado em 2015) responsável pelo desenvolvimento da Ivermectina.

Porto Feliz e os baixos índices de letalidade por Covid-19

Dito isso, analisemos de que forma os dados observados na cidade de Porto Feliz parecem sugerir a efetividade da abordagem integral  adotada pela saúde pública do munícipio.

Porto Feliz tornou-se alvo de muitas críticas ao fornecer a seus moradores os medicamentos para tratamento precoce. Quando foi registrada a primeira morte no município, em 17/05/2020, a Prefeitura havia iniciado uma campanha para a utilização dos medicamentos, como Hidroxicloroquina, Ivermectina e Azitromicina. De acordo com entrevistas concedidas pela Prefeitura, a medicação era utilizada tanto em pacientes com casos leves, como em seus familiares e contactantes. Não houve qualquer distribuição indiscriminada dos medicamentos, como afirmaram e sugeriram postagens em redes sociais e parte da mídia.

Outra medida adotada pela Prefeitura foi a realização de exames complementares mais apurados, assim que o indivíduo dava entrada no sistema de saúde com queixas compatíveis com a doença. Além da realização do PCR, a busca precoce de alterações pulmonares por meio de Tomografia de Tórax possibilitou o diagnóstico e o tratamento de complicações no início de sua evolução. Muito provavelmente, essa postura contribuiu para os bons resultados alcançados e reforça o conceito do acolhimento e intervenção precoces como fundamentais no enfrentamento correto da pandemia, e não apenas a simples distribuição de algum “kit” de medicamentos.

A partir de um panorama social da cidade, com base nos dados apresentados pelo IBGE, cruzamos com as informações disponíveis dos resultados do uso da medicação na cidade, divulgadas tanto nos veículos de informação como no site oficial da Prefeitura.

Com esses dados, foi possível realizar um comparativo com algumas cidades tanto da região, como também do Brasil e verificar os seus índices de letalidade da Covid-19.

A cidade de Porto Feliz, de acordo com o último Censo, possui 48.893 habitantes. Ocupa a posição 126º de Município mais populoso do Estado de São Paulo, de um total de 645 cidades. Sua densidade demográfica é de 87,83 habitantes por quilômetro quadrado.

De um modo geral, os índices da Saúde no Município não são os melhores. A Mortalidade Infantil está em 9,47 óbitos por mil nascidos, deixando o município na posição 323 de 645 do Estado de São Paulo. Com relação às internações por diarreia – dado também utilizado nos levantamentos do IBGE – temos 0,3 por mil habitantes, o que a coloca na posição 332 no Estado. Em escala nacional, as posições são 3247 e 3907, respectivamente, de um total de 5570 municípios que compõem a Federação.

Entretanto, essas mesmas posições não são nem mesmo comparáveis quando olhamos para a Pandemia de Coronavírus. Apesar do alto número de contaminados, há um baixíssimo número de mortos, quando comparamos com outras localidades.

De acordo com o Ministério da Saúde, no dia 1º de Abril de 2021, desde o registro do primeiro caso de Covid-19 no Estado de São Paulo, até o final do mês de Março de 2021, foram registrados 2.469.849 casos confirmados e 74.652 mortes. O Gráfico abaixo mostra um comparativo dos dados de vários Municípios do Estado de São Paulo.

 

Destaca-se a diferença quando se avalia a letalidade da doença em cada cidade, embora não haja diferença significativa na prevalência (a proporção de uma população que contrai a doença em um determinado momento dividido pela população total).

Em outras cidades do interior de São Paulo, não vemos um índice tão baixo de letalidade como em Porto Feliz. Até mesmo quando comparamos com a capital, que possui grandes hospitais de referência nacional e na América Latina, vamos que a letalidade é maior. Se mesmo com um sistema de saúde intermediário, Porto Feliz conseguiu ter esse baixo índice de mortes, podemos detectar que o diferencial para isso ocorrer pode estar no tratamento precoce que até mesmo evita que muitas pessoas que manifestaram sintomas do vírus cheguem a acessar o sistema de saúde.

Vemos abaixo outros exemplos. Quando dividimos o número de óbitos pelo número de casos confirmados, encontramos aproximadamente a mesma taxa de Letalidade, ao redor de 2 a 3% (0,020 a 0,032), EXCETO EM PORTO FELIZ, que exibe números compatíveis com a METADE DOS NÚMEROS DAS OUTRAS CIDADES. Destacamos que os números do Estado de São Paulo são os mesmos das cidades que não adotaram o tratamento precoce (atualização em 14/03/21):

  1. Araraquara                       252 óbitos / 12.605 casos confirmados = 0,020
  2. Campinas                        2.016 óbitos / 62.153 casos confirmados = 0,032
  3. Jundiaí                                 661 óbitos / 26.986 casos confirmados = 0,024
  4. PORTO FELIZ                         45 óbitos /   3.850 casos confirmados = 0,011
  5. Sorocaba                               818 óbitos / 33.706 casos confirmados = 0,024
  6. Estado de S. Paulo         66.798 óbitos / 2.280.033 casos confirmados = 0,029

 

Ou seja, o morador de Porto Feliz, quando comparado ao morador das outras cidades do Estado de São Paulo, parece ter metade da possibilidade de óbito, caso venha a ser acometido pela Covid-19.

 

 

Efetividade da abordagem integral,  em Porto Feliz não deve ser ignorada pela comunidade científica.

Mesmo com um sistema de saúde que apresenta indicadores nada excepcionais em inúmeros indicadores de saúde pública, quando o assunto é a Covid-19, vemos que o enfrentamento precoce e correto para com a pandemia parece ter trazido resultados favoráveis à população. O desempenho da cidade também salta aos olhos quando a comparação é feita com cidades de perfil populacional parecido, que são aqueles munícipios paulistas na faixa de 45.000 a 55.000 habitantes. Neste conjunto Porto Feliz apresenta a menor letalidade, desempenho que se repete quando analisada frente as demais cidades que integram a chamada região metropolitana de Sorocaba, que na média apresenta um índice que é mais que o dobro da letalidade observada em Porto Feliz-SP.

Enquanto Porto Feliz ocupa a posição 323º por mais mortes de recém-nascidos e a posição 332º por mortes por diarreia no estado de São Paulo, em relação à Covid-19, está na posição 85. Dos municípios que possuem número de habitantes entre 45 a 55 mil, está em segundo lugar em relação à letalidade, ficando atrás somente do município de Tremembé,  que possui um índice muito menor de prevalência do quem Porto Feliz.

Portanto, quando levados em consideração os aspectos epidemiológicos, geográficos e sociais de Porto Feliz-SP torna se inviável descartar o tratamento integral como estratégia de enfrentamento da Covid-19.

Estamos em um triste momento no Brasil em que a prática da Medicina e as relações entre os profissionais foi contaminada pela mesma divisão política que infelizmente se instalou por aqui nos últimos tempos.

Após o presidente Jair Bolsonaro ter realizado a defesa pública do uso da Hidroxicloroquina (HCQ) para tratamento da Covid-19 em sua fase inicial, a HCQ e o denominado “tratamento precoce”, com  suas drogas associadas, como Azitromicina e Zinco, passaram a ser alvo de ataques dos opositores ao governo. Na grande mídia,  os médicos que os adotam foram e são achincalhados, taxados de “charlatães e negacionistas”, além de co-responsáveis pelas mortes, uma postura que agora é confrontada com os achados na cidade de Porto Feliz-SP.

Alguns colegas médicos, por discordar da conduta, atacaram e ofenderam aqueles que a defendem. Diante desse cenário, o Presidente do Conselho Federal de Medicina reforçou com veemência em declaração pública a autonomia do médico na sua atuação junto a seus pacientes.

Diante das constatações em Porto Feliz-SP, a posição do Conselho Federal de Medicina na defesa da autonomia médica ganha força, uma vez que após um ano de observação, vemos que os dados oriundos do município paulista sugerem que a abordagem integral  é uma ferramenta poderosa que pode estar salvando muitas vidas. Diante dos fatos, não nos parece apropriado descartar a experiência adquirida em Porto Feliz, até que se consiga apresentar uma explicação razoável, que consiga desvincular esta  abordagem  da efetividade observada nas ações de saúde pública adotadas no munícipio.

 

Boletim Epidemiológico de Porto Feliz. https://www.portofeliz.sp.gov.br/boletim-epidemiol%C3%B3gico.

Coronavírus Brasil. https://covid.saude.gov.br/.

IBGE Cidades – Porto Feliz. https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/porto-feliz/panorama.

Gazeta do Povo. https://revistaoeste.com/revista/edicao-35/o-que-porto-feliz-tem-a-ensinar-ao-brasil/.

Prefeitura de Porto Feliz. https://www.portofeliz.sp.gov.br/.

Painel Covid-19 -  Congresso em Foco. Painel COVID-19 - Ranking dos Municípios - Congresso em Foco (uol.com.br)

 

 

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